sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tá chegando o dia!!!!

Saiu minha data de desembarque... Eu vou embora pra casa dia 13 de fevereiro...
Vou partir do Rio de Janeiro, mas vai ser por minha conta. A MSC só paga a volta pra casa a partir de oito meses. E eu só tenho sete meses completos...
Preferi o RJ porque em Santos não há aeroporto. Eu teria que me deslocar até São Paulo. E ficaria meio difícil pra eu ter que ir até lá, já que terei que pagar tudo...
To chegando, to chegando!!!!!!!
Uma das coisas que eu vou adorar fazer é cozinhar. To com saudade. Apesar de não saber... kkkkk. Já to com saudade!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Acabando...

Ai que triste...
Pedi meu sign off (minha demissão). Vou embora pra casa dia 15 de fevereiro.
Tomei essa decisão após uma ligação pra minha mãe, hoje pela manhã. É que ela está muito triste, pois minha vó morreu. E durante a nossa conversa ela me disse que renunciou a tudo pra cuidar da mãe dela. Me senti egoísta de estar aqui. Lá em casa eles precisam de mim, muito mais do que meu capo precisa. Aqui qualquer um pode me substituir; na minha família, não. Então é melhor ir pra casa mesmo...
Meu capo veio falar comigo com os olhos cheios de lágrimas. Porque eu não avisei a ninguém. Preenchi o "request" e deixei sobre a mesa dele. Ele ficou preocupado, até mesmo porque nunca esbocei nenhum sinal de que iria desistir, muito pelo contrário. Até cheguei pedir pra estender o contrato. Expliquei pra ele que foi a partir da negação deste pedido que eu comecei a pensar a ir embora. Eu queria passar pela experiência do dry doc, da nova travessia. Mas não me deixaram. Foi então que comecei a pensar na minha saída... só faltava um motivo. Agora eu tenho... não é dos mais felizes, mas vou fazer mais diferença lá... e não aqui.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Show de horrores? Aqui no Armonia!

Você pode ir do céu ao inferno em apenas uns minutos... Aqui é assim!
Nosso último cruzeiro foi religioso, católico. Os passageiros literalmente uns santos... muito tranquilo. E agora o inferninho... é o cruzeiro temático sertanejo com os cantores Jorge e Matheus. Os passageiros são bem diferentes do que foi com o Luan Santana (composto praticamente por adolescentes e pais). Neste aqui, são todos adultos e loucos.
Primeira noite foi terrível. Todos estavam bêbados e endoidecidos... Eu estou como assistente de camareira dos VIP´s. E até mesmo naquela seção (onde estão os cantores) era gente pelada no corredor correndo atrás de nós, gente usando droga... Só pra ter uma noção, uma garota foi estuprada aqui dentro. Olha que horror! O povo é sem noção...
E, ainda por cima, o Matheus (da dupla) tá internado e não vem no cruzeiro dele. Hahahhaha. Vai ser substituído por Maria Cecília e Rodolfo.
Eu ainda não tive a oportunidade de limpar a cabine do Jorge. Ele fica intocado, lá dentro... Mas por questões éticas e profissionais não posso contar o que fica fazendo lá dentro... Só posso dizer que foi uma decepção pra muita gente... Não era o que se esperava. O ser humano surpreende!
O segundo dia não foi nada diferente. Muita loucura a bordo...
Credo!!!!!!!!!!!
E fora isso, minha cabeça não tá aguentando mais... Sabe o que acontece? Não existe mais motivação pra estar aqui. Minhas motivações estão lá fora... Queria muito conseguir ficar até o final... não sei se vai dar... To estressada e meus capos estão muito mais... acabam descontando tuuuuudo na gente. Trabalhar aqui no Brasil é ruim demais. To com saudade das unhas cortadas no carpete (passatempo preferido dos passageiros europeus) Kkkkkkkkkkkkkkk.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ano Novo? Pra quem? Pra mim não... Tudo igual (ou pior)!

Caracas...
Está extremamente difícil... Não sabia que esse dia ia chegar. O dia que minha cabeça e minha corpo iam dizer: vamos embora pra casa!!!!!
É assim que estou me sentindo. Cansada demais. Estressada demais. Trabalhar com brasileiros é tão difícil, tão complicado. Ai que saudade da Europa. Deve de ser por isso que na próxima temporada a MSC só vai mandar 3 navios pra Brasil (atualmente são 6).
Cruzeiro de ano novo foi igual ao de natal... Passei a virada dormindo, extremamente cansada. No dia seguinte teve outra crew party, mas todos estavam exaustos...
Estava esperando minha família em São Francisco do Sul novamente, mas aconteceu um monte de coisa que somente meu cunhado, meu sobrinho e um grande amigo foram me visitar... claro que fiquei chateada, porque só irei revê-los quando desembarcar. Mas tudo bem.
Agora de volta aos mini cruzeiros...
Socorro...

domingo, 9 de janeiro de 2011

É Natal, é natal...noite de natal...

É Natal...

Até que enfim chegou um cruzeiro loooongo. Saudade disso, de poder conhecer os passageiros, de chamá-los pelo nome; o que na verdade não é possível nos mini cruzeiros.
Mas foi tudo ilusão. Nove dias com os mesmos passageiros foi detestável... A primeira noite (pós embarque) já começou com tanto problema... fiquei imaginando como seriam os dias seguintes.
Santos, Rio de Janeiro e dois dias de navegação... até chegar na Argentina. Eu acho que os passageiros pagaram pra dormir, de verdade. Tinha gente que não saía da cabine, pra nada. Ficávamos além do horário só esperando o povo acordar (mentira!!!!!! Eu ligava pra eles!!!! Hahahahahaha). E quando entrávamos para limpar, era inacreditável o desastre. Cheguei a conclusão que quanto mais bonita é a mulher, mais suja é a cabine. Isso é bem verdade. Se a mulher é muito bonita, ela traz zilhões de roupas, fica indecisa, joga tudo no chão... faz compras, enche a cabine de sujeira e sequer consegue acertar a lixeira.
E por falar em lixeira, ninguém é capaz de ler o aviso do tamanho de um bonde que existe no banheiro: “Favor jogar o papel higiênico usado no vaso sanitário”. O que você entende com isso??? Que ao se limpar, jogue o papel na privada e puxe a descarga... Não é preconceito, mas analfabetismo funcional é uma expressão que aprendi com os brasileiros aqui dentro, com os passageiros. Leem, mas não compreendem. E não tem como pensar que não é estupidez, burrice ou sei lá... Chega a dar raiva. As pessoas não lêem os avisos, o programa que é colocado todo dia na cabine... nada. Aí acabam fazendo tudo errado e se acham os senhores donos da razão...
Tá, mas é Natal, dá pra relevar tanta coisa (não dá, não). Natal é tempo de confraternizar, ter paciência, amar ao próximo. Mas foi impossível. Não sei se estou no meu limite, mas não consigo mais.
No entanto, o navio preparou algumas surpresas pra gente. Teve o Crew Show, no Teatro. Foi uma apresentação linda, com direito ao comandante dançando o Créu!!!!! Foi hilário e eu gravei. Teve também a Crew Party (até que enfim), que dancei até acabar. Teve que ser assim, porque a festa foi na gangway, que fica acima da minha cabine. O barulho era enluquecedor. Ou aproveitava a festa lá em cima, ou ficava acordada na cama...
Chegamos em Buenos Aires. Oba, compras! Pra começar, como estávamos fora do Brasil, nada de terminar e sair mais cedo. Tivemos que ficar até duas da tarde, pra voltar as cinco. Pois então, fui pra tal da La Florida. Uma rua de compras. Economizei tanto tempo pra fazer umas comprinhas. Que decepção. Que tédio. Não gostei de nada. Só não voltei com mais dinheiro porque não assaltei ninguém. Não comprei nada, nadica de nada. Fiquei tão triste... Faltou minha mãe pra dizer o que comprar (é, tenho quase trinta anos e ainda preciso da minha mãe pra escolher minhas coisas!!!!). Então, tivemos overnight. Mas eu estava na lista negra que não podia sair do navio. Uma porcentagem da tripulação tinha que ficar a bordo. Eu era uma delas.
O segundo dia de Buenos Aires nem pudemos sair... não deu tempo.
Dia seguinte era Punta Del Leste. Que também não conheci. Até podíamos sair quando terminássemos, mas meus passageiros queridos e dorminhocos não colaboraram comigo...
Até que enfim estava chegando São Francisco do Sul (SC). Eu ia encontrar minha família... Foi tão emocionante, que me dá um aperto no peito só de lembrar. Foi tão gostoso e tão sensacional poder passar algumas horas com eles... Não dá pra explicar. Depois de cinco meses sem vê-los, foi incrível... Chorei tanto, tanto... todo mundo chorou. E a sensação foram os presentes e a minha amiga indonesiana Ayu. Deu pra dar muita risada. A hora de partir foi dolorosa... mas na semana seguinte eu iria revê-los.
Bem, o estresse todo que passei nesses dias não dá pra escrever... eu não consegui colocar em palavras tudo o que sofri durante este cruzeiro. Minha camareira e eu passamos por muito sufoco... Credo... Mas tudo valeu a pena ao ver minha família...
Mas não acaba aqui. Tem o cruzeiro de Ano Novo também. O mesmo roteiro... Vamos ver o que vai dar...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quanto tempo, né?

Oi!!!!!
Nossa, há muito tempo não escrevo. E tanta coisa aconteceu.
Alguns dias atrás tivemos o cruzeiro do Luan Santana. Eu fui escolhida pra ser a assistente da camareira dele (como foi no do Boticário). Foi uma loucura, porque as fãs estavam enlouquecidas... Ficavam o dia inteiro de plantão no corredor, esperando pra ver o cantor, mas ele raramente saía da cabine. Os seguranças ficavam 24h na frente da porta e nas entradas do corredor. Mas nem cheguei a ouvir a voz dele, muito menos nem olhei pra cara dele... até mesmo porque to aqui pra trabalhar, não pra ficar de tiete, não é?
Quem também estava na mesma seção era a Zilu Camargo e o filho mais novo (que veio como DJ pra tocar na discoteca).
Não posso falar muito, mas uma coisa é certa: existem coisas que vem de berço e que dinheiro não compra...
Nesse cruzeiro o que mais valeu a pena foi a companhia dos seguranças do Luan Santana. Eles são umas figuras. Adoráveis!
A overnight foi em Búzios, mas não saí. Fui pescar, na popa, com meus amigos indonesianos. Não peguei um peixe sequer, mas pude me divertir muito mesmo!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Semana Azarada...

Nem sei como contar tudo o que aconteceu... Quem lê até pensa que a minha vida aqui é tragédia. Mas não é não. Quando passa, é possível rir da situação.
Já contei que a comida aqui é horrível. No entanto, toda noite eu janto com os indonesianos. O chef de cozinha faz comida especial pra mim, com coisas que eu gosto. Numa dessas, estava eu comendo batata frita com costelinha de porco quando senti uma dor terrível no dente. Passei a língua e senti que havia quebrado. Foi lá do fundo da boca... Caracas, como doeu. Saí correndo e liguei pra emergência médica. O que faria com um dente quebrado?????? Que horror! A enfermeira me deu uma injeção pra dor. E no dia seguinte teria que procurar um dentista para refazer. Passei a noite inteira chorando, só não sabia se era de desesperada (por estar longe de casa, sozinha...) ou de dor (nossa, estava doendo mesmo). No outro dia fui ao dentista, em Santos. Vieram me buscar no navio e depois me trouxeram. Foi tudo bem, mas ainda sinto dor... Acho que vou me incomodar muito com este dente, ninguém merece!
Então, a vida continua... e estava chegando o aniversário da minha colega Fernanda. Organizamos uma festa surpresa pra ela. Mas a festa não tinha bebida alcoólica, cigarros e afins. Era só salgadinho, bolo e refrigerante mesmo. Tipo festa de criança. Só que algum vizinho de cabine ligou na bridge reclamando. E quem aparece? Oficial e seguranças... mandaram desligar tudo e pegaram o crew card de todo mundo (para quem não sabe, sem o crew card não podemos sair do navio, então estaríamos em cárcere privado). Claro que acabou a festa... na certa ia aparecer Warning para nós todos (no momento da apreensão, estávamos em doze pessoas). Na manhã seguinte éramos o assunto do crew mess. Eu estava decidida a ligar para a polícia, porque eles não podem nos impedir de sair do navio. Mas meu capo apareceu lá na minha sessão trazendo o cartão. Nada aconteceu conosco... mas foi estranho passar por aquela situação... vendo os seguranças desmontando a cabine das meninas a procura de bebidas e etc. Pra mim, foi terrorismo.
Até então, nada foi motivo pra desistir disso aqui. Não vou embora, apesar de todo o cansaço, de tudo de ruim...
Hei, cadê o calor pra poder ir pra praia??????