terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quanto tempo, né?

Oi!!!!!
Nossa, há muito tempo não escrevo. E tanta coisa aconteceu.
Alguns dias atrás tivemos o cruzeiro do Luan Santana. Eu fui escolhida pra ser a assistente da camareira dele (como foi no do Boticário). Foi uma loucura, porque as fãs estavam enlouquecidas... Ficavam o dia inteiro de plantão no corredor, esperando pra ver o cantor, mas ele raramente saía da cabine. Os seguranças ficavam 24h na frente da porta e nas entradas do corredor. Mas nem cheguei a ouvir a voz dele, muito menos nem olhei pra cara dele... até mesmo porque to aqui pra trabalhar, não pra ficar de tiete, não é?
Quem também estava na mesma seção era a Zilu Camargo e o filho mais novo (que veio como DJ pra tocar na discoteca).
Não posso falar muito, mas uma coisa é certa: existem coisas que vem de berço e que dinheiro não compra...
Nesse cruzeiro o que mais valeu a pena foi a companhia dos seguranças do Luan Santana. Eles são umas figuras. Adoráveis!
A overnight foi em Búzios, mas não saí. Fui pescar, na popa, com meus amigos indonesianos. Não peguei um peixe sequer, mas pude me divertir muito mesmo!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Semana Azarada...

Nem sei como contar tudo o que aconteceu... Quem lê até pensa que a minha vida aqui é tragédia. Mas não é não. Quando passa, é possível rir da situação.
Já contei que a comida aqui é horrível. No entanto, toda noite eu janto com os indonesianos. O chef de cozinha faz comida especial pra mim, com coisas que eu gosto. Numa dessas, estava eu comendo batata frita com costelinha de porco quando senti uma dor terrível no dente. Passei a língua e senti que havia quebrado. Foi lá do fundo da boca... Caracas, como doeu. Saí correndo e liguei pra emergência médica. O que faria com um dente quebrado?????? Que horror! A enfermeira me deu uma injeção pra dor. E no dia seguinte teria que procurar um dentista para refazer. Passei a noite inteira chorando, só não sabia se era de desesperada (por estar longe de casa, sozinha...) ou de dor (nossa, estava doendo mesmo). No outro dia fui ao dentista, em Santos. Vieram me buscar no navio e depois me trouxeram. Foi tudo bem, mas ainda sinto dor... Acho que vou me incomodar muito com este dente, ninguém merece!
Então, a vida continua... e estava chegando o aniversário da minha colega Fernanda. Organizamos uma festa surpresa pra ela. Mas a festa não tinha bebida alcoólica, cigarros e afins. Era só salgadinho, bolo e refrigerante mesmo. Tipo festa de criança. Só que algum vizinho de cabine ligou na bridge reclamando. E quem aparece? Oficial e seguranças... mandaram desligar tudo e pegaram o crew card de todo mundo (para quem não sabe, sem o crew card não podemos sair do navio, então estaríamos em cárcere privado). Claro que acabou a festa... na certa ia aparecer Warning para nós todos (no momento da apreensão, estávamos em doze pessoas). Na manhã seguinte éramos o assunto do crew mess. Eu estava decidida a ligar para a polícia, porque eles não podem nos impedir de sair do navio. Mas meu capo apareceu lá na minha sessão trazendo o cartão. Nada aconteceu conosco... mas foi estranho passar por aquela situação... vendo os seguranças desmontando a cabine das meninas a procura de bebidas e etc. Pra mim, foi terrorismo.
Até então, nada foi motivo pra desistir disso aqui. Não vou embora, apesar de todo o cansaço, de tudo de ruim...
Hei, cadê o calor pra poder ir pra praia??????

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cansada...

Toda situação tem seus dois lados... Mas o cansaço está presente em todas...
Há algum tempo atrás, logo depois que eu cheguei, me falaram que ia chegar um momento que o corpo não ia mais acompanhar a cabeça. E eu me sinto assim. As vezes eu olho pro fundo do corredor que trabalho e a cabeça tá lá na última cabine limpando... mas o corpo tá só na segunda... kkkk. É tão difícil. O pior é quando a cabeça não ajuda. E por esses dias tem acontecido muito. É preciso lidar com alguns tipos de problemas que não esperava. Solidão! Isso vem me amedrontando um pouco, pois existe diferença entre estar rodeada de pessoas e ao mesmo tempo sentir-se sozinha. Assim estou eu. Primeiro foi que o Rodrigo (meu namo) foi embora e não conseguiu voltar pro Armonia. Agora está no Orchestra. Outra, minha maior amiga também foi embora. A Milena ficou exatamente um ano aqui dentro e desembarcou. Nós éramos muito unidas, pra tudo. Faz falta... muita falta. Aí, pra arrematar tudo tem os problemas familiares... toda família tem, não sou anormal não. E me dói saber algumas coisas... eu queria estar em casa pra ajudar... principalmente a minha mãe. Sei que ela precisa de mim perto...
Então as coisas vão se juntando... e tudo fica entalado na garganta. Minha colega de cabine (será que contei que troquei de cabine?) é o máximo. Ela tem me ajudado muito (o nome dela é Sody). Mas como ela tem namorado, claro que passa o tempo todo com ele. Eu me sinto sozinha, é inevitável, e não tenho força pra ficar indo atrás das pessoas.
Essa semana foi puxada... Tivemos nosso primeiro over night, que é quando o navio passa a noite num lugar. Foi em Ilhabela. Pudemos sair, ir pro barzinho. Foi divertido!
E tivemos também um cruzeiro que foi composto por 1600 mulheres e 70 homens. Foi uma loucura. Inclusive fui escalada pra trabalhar com os vips (diretores do Boticário). Aham, assistente vip! Eu! Só as melhores, acredita? E também fui entrevistada pela Revista Viagem e Turismo...
Tanta coisa acontecendo...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Só no Brasil mesmo!!!

São tantas coisas acontecendo...
Hoje foi Rio de Janeiro. Eu tive 07 desembarques. Isso significa que as sete cabines precisam ser limpas para logo depois novos passageiros embarcarem... Aconteceu algo que só aqui é possível ver...
A cabine 1118 estava ocupada por uma senhora (nada simpática) e o neto (igual a ela). Todo dia sumia algo da cabine. E todo turno eu tinha que repôr shampoo e sabonete. Aí hoje eles saíram. Deram tchau e blá blá blá. Foram embora. Perto do meio dia, quando minha camareira foi colocar o programa dentro do quarto, ele já estava ocupado. Ela nem se preocupou. Abriu a porta e colocou no chão mesmo... Até aí tudo bem. Foi então que eu, lá no fuuuuundo do corredor, vi a mesma senhora saindo correndo do quarto. Eu pensei: coisa boa não é! Porque ela saiu correndo, cheia de coisas na mão. Fui atrás dela, mas tinha sumido. Voltei pra cabine e me assustei. Ela tinha dormido nas duas camas; sujou todo o carpete e todo o chão do banheiro; roubou todo o shampoo e o sabonete de novo; roubou o balde de gelo; roubou quase tudo do minibar... Ninguém merece. A recepção foi avisada, mas acho que não fizeram nada... Sei lá. Mas que deu vontade de bater naquela mulher, deu. Nossa que raiva!
Hum, os cruzeiros de três dias estão realmente dando muito trabalho. Mas está sendo possível levar numa boa... E adoro Santos! É o dia que vejo meu excelentíssimo! É tão bom! Aliás, ele embarca agora em novembro no Orchestra. E vai tentar trocar pro Armonia. Tomara que dê certo!!!!!!
To morta de cansada! Vou dormir (aliás, é o que mais preciso fazer).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ossos do Ofício!

Sorria! Eu estava na Bahia! Pois é, chegamos em Salvador e finalmente pudemos descer pra passear. Nossa, a primeira coisa que fiz foi procurar um restaurante, no Pelourinho. Que delícia!!!! Depois de muito passear, voltamos pro navio... Aí foi mais um dia de navegação pra chegar no Rio de Janeiro, onde só sair pra ir até umas lojas... não fui aos pontos turísticos porque já conheci (há zilhões de anos atrás). E então vem o pesadelo!!!!!!!! Santos (SP). O grande dia... meu senhor, que difícil. Foi a primeira vez, em três meses que pensei em desistir de tudo e ir pra casa... Os passageiros deixaram tudo tão sujo, bagunçado e trabalhoso. Eu chorava tanto, de desespero. Achei que não ia dar conta do serviço... Era tanto lixo, tanta toalha, tanto lençol... E tudo tinha que estar pronto às onze da manhã. Claro que não ficou, né? Perto do meio-dia consegui. Aí o meu excelentíssimo conseguiu entrar no navio pra me ver... Sabe quanto tempo consegui ficar com ele? QUINZE MINUTOS. Porque 12:30 eu tinha que estar na linha embarque... Mas foram minutinhos extremamente felizes... muito bom!
Daí, dia seguinte foi Rio de novo, com embarque. Para piorar toda a situação (que já estava ruim, eu com muito cansaço e dor) o mar estava feio. Esse negócio aqui balançou, balançou e balançou tanto, que todo mundo passou mal. Gente, era vômito pra todo lado... as pessoas não chegavam a tempo na cabine e vomitavam no meio do corredor. Um show de horrores... Teve uma cabine que o cara e a mulher vomitaram tanto na pia que chegou a entupir. E quem desentupiu????? Adivinha!!!! Que nojo! Foi esse dia que descobri que meu estômago é forte!!!! Claro que o dramin que eu tomei me ajudou, mas foi triste!
Só para ter uma noção de que estamos no Brasil. Hoje cedo, ao chegar na minha seção, tinha coco nas paredes. Algum imbecil teve o trabalho de esfregar isso nas paredes no corredor!
Bem vindos a bordo!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu cheguei, cheguei!

Eu cheguei!!!!!!
Onde foi que parei a última postagem??? Ai não lembro... pois bem. Contei que o crossing começou... Passamos em Málaga (pertencente a Espanha), aí em Funchal (Ilha da Madeira - Portugal) onde me diverti muuuuito; e daí em Tenerife (Ilhas Canárias). Após esses lugares foram 5 dias de travessia. Meu senhor! Como esse negócio balançou! O mar nem estava revolto...
No último dia passamos por Fernando de Noronha, mas não paramos. Foi possível avistar bem, adorei poder ver, ao menos. Tirei várias fotos. Aí o celular (o meu é da Tim) pegou. Nossa, liguei pra casa e falei com minha mãe, foi a maior choradeira... A sensação de voltar pro Brasil é como se estivéssemos chegando em casa, sabia? Foi engraçado porque todos os brasileiros foram pra fora do navio (popa, proa)... todo mundo emocionado... Isso acontece...
Então, estamos há quase 20 dias com os mesmos passageiros. É possível conhece-los melhor. Além de gorjetas, né? Descobri que não é exclusividade de europeus cortar as unhas e jogar no carpete. Brasileiro faz isso!!!!!! Ai que horror. Eu também já contei que aqui o papel higiênico é jogado diretamente no vaso sanitário. Pois então, tem um casal brasuca que joga na lixeira que fica dentro do armário embaixo da pia... o armário fede (adivinha a que?). Eu fico imaginando o malabarismo pra colocar lá... kkkkkkkkkkkkk. Sem contar que o botão da descarga é enfeite. Ninguém usa!
As pessoas que acompanham o blog ainda pedem pelas fotos. O que acontece é que a net do navio é muito ruim, demora muuuuito pra colocar. Vou ficar devendo essa!

sábado, 25 de setembro de 2010

Chegou o crossing!

Ahhhhhh, acabou a vida dura na Europa! Agora partimos pra vida árdua e difícil no Brasil.
O navio Armonia partiu de Veneza em direção a nossa terrinha dia 20 de setembro. Mas tudo já começou aos tropeços... Veneza é sinônimo de dia de embarcação... Eu lavo a minha boca por ter reclamado dos turistas europeus. Brasileiro é pior. E como! Vc já via que era paisano assim que entrava no navio. Fazendo carnaval... meu santo! E reclamando de tudo! Não tem nada pra reclamar. Tudo é perfeito (hum?) aqui dentro! Credo!
Aí foram horas e horas e horas e horas de embarque, acompanhando passageiro até a cabine, respondendo perguntas e blá blá blá. Não terminava nunca, o que foi aquilo? Um show de horrores!
O navio está com a metade da capacidade. Para a travessia são 1300 pax somente. Muitas seções estão com várias cabines vazias, mas a minha está lotada. Então, não dá pra terminar mais cedo nunca...
Durante o crossing existe a possibilidade muito grande de aborrecimento por conta do tempo que se passa aqui dentro (to falando isso em relação aos passageiros, não da tripulação). Mas tudo é legal!
De Veneza, fomos para Dubrovnik. O terceiro dia foi de navegação (muito balanço e muito enjoo). Depois fomos para Tunísia. Ali não podemos descer. Mas eu vi os camelos!!!!! Aí, dia seguinte foi de navegação de novo... mais enjoo, meu santo, haja dramin. Hoje foi Málaga, Espanha. Que delícia! Eu conheci a Espanha!!!!! Quem diria? Aliás, nunca imaginei que pudesse conhecer nada disso. Então, consegui descer do navio antes do horário de trabalho terminar, meu capo deixou. Mas tive que voltar cedo, porque infelizmente tivemos a checagem das mãos com a equipe médica. Tinha que ser hoje? Que saquinho!
Mas por alguns momentos eu fui feliz... Pude passear em Málaga, vi o centro da cidade... vi golfinhos no porto. Foi legal. Foi bom enquanto durou.
Nesse momento estou na escada da lavanderia do navio, porque o sinal aqui é melhor. Mas o navio tá balançando muito e estou com vontade de vomitar. Ai que horror!
Queria deixar um recado pra Carla, que está em recuperação! Torço por vc! Bjos! (eu sei que ela também adora ler as besteiras que escrevo).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ahhhhhhhh!

Está chegando o crossing!!!!!!!!
Dia 20 de setembro partiremos em direção ao Brasil! Nossa, agora temos que aproveitar para descansar (descansar???? Hahahahaha) porque a temporada que está por vir é pesada. No Brasil, o Armonia ficará durante 5 meses. Nesse tempo, serão mini cruzeiros (com duração de 3 dias). É uma loucura. E dá medo, porque o que se sabe é assustador. O trabalho é árduo, complicado, difícil... tem que ser muito forte.
Agora estou sozinha aqui. Meu excelentíssimo retornou ao Brasil. Esse tempinho que passamos juntos foi muito legal, divertido e prazeroso. Coisas que não tinha e não sentia há muito tempo!
Para complicar tudo, temos uma nova Hotel Manager. Dizem que a mulher é o diabo (e acho que veste Prada, porque ela é chique demais). Então, meus capos estão estressados. Para quem não sabe, capo é como chamamos nossos chefes. Meu chefão é o Franco, um italiano que adora berrar e maltratar, mas que no fundo, bem no fundo, é gente boa. Aí tem os assistentes: Celso (filipino, o mais humano, que ama distribui stand by); o Putu (sim, esse é o nome dele – um indonesiano); e a Odette (de Madagascar, muito querida e exigente, adora uma conversa).
Voltando ao crossing, serão 19 dias viajando, sendo que cinco são sem ver terra nenhuma. Vai dar pra dormir todos os dias a tarde!!!! Eba.
Hoje não estou muito inspirada para escrever. To postando porque eu sei que minha irmã ama quando conto qualquer coisa. E to sem qualquer muita coisa pra contar... é porque ando um pouco tristinha, sozinha, jogada às traças!!!!! hehehehe...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu ainda amo tudo isso!!!!

Estava eu, aqui parada, pensando com meus botões, o que eu poderia contar...
É tanta coisa que nem sei.
O que vem me incomodando ultimamente é meu dedão do pé... Não sei porque, mas eu perdi a sensibilidade dos dois. É engraçado, não se sente nada. Eu posso bater nos cantos, deixar cair coisas em cima. Não sinto nada mesmo. Inclusive perdi a unha (kkkkkk) e nem vi. Agora, a unha nova está crescendo. Mas está medonho. Outra coisa que acontece é o surgimento das varizes nas pernas. Sabe aquelas micro varizes? Ai, eu tenho as pernas tão bonitinhas... dá uma dó de ver aquelas coisinhas.
Tudo isso é normal (ao menos é o que dizem). Todos passam por isso. Eu tenho que agradecer que ainda não fiquei doente, não precisei ir ao medical center, nada... Só sinto muito enjôo quando o navio balança. Eita desgraça. Semana passada fiquei à base de dramin (olha que nem balançou de verdade). O problema é que o navio está com estabilizador quebrado – que os passageiros não saibam disso.
Próxima Veneza (dia 13), meu excelentíssimo vai embora. Ele está passado pela TPD – tensão pré-desembarque. Todos passam por isso. É chato. Ahhhhh, alegria de pobre dura pouco, não é? Eu estava feliz com ele por aqui. Mas a vida segue (quem disse que não?). Na semana passada ele me levou a um passeio pelos pontos turísticos de Athenas, foi encantador. Adorei!
Fiquei chateada ontem com meu capo (ele é filipino). Ele havia me dito que poderia descer em Ancona e algumas horas em Veneza. Chegou na hora, não permitiu mais. Simplesmente me deu um não... E eu ia sair com o Rodrigo.
E 20 de setembro, o navio segue em direção ao Brasil. Meu Deus, estou com medo... Lá no Brasil faremos quase que só cruzeiros de 3 dias. Quem acompanha meu blog sabe do sofrimento dos embarques e desembarques. Já é difícil passar por isso a cada 7 dias, imagina a loucura na lavanderia pelos lençóis e tolhas nesses 3 dias. Tenho certeza que muitos brasileiros, principalmente mulheres, irão desistir. Não é pra qualquer um. É aí que vai valer não só a força mental, o físico entra em ação. E para os homens é pior, porque eles trabalham de madrugada, além de tudo.
Eu não posso reclamar de nada não. Eu assumi os riscos quando aceitei vir pra cá. Sabia o quão seria difícil e trabalhoso. Espero ter forças pra continuar com todo esse ânimo.
Agora tenho que ir descansar. Hoje tem troca de fuso horário e perdemos uma hora de sono (já é pouco, credo). To esperando meu excelentíssimo chegar. Tem que aproveitar todos os momentos, né?

sábado, 28 de agosto de 2010

Continuo aqui!

Eu descobri porque europeu viaja em cruzeiros. É só para ter o prazer de cortar a unha e jogar no carpete... Pôxa, é isso mesmo, todos eles deixam para cortar a unha durante a viagem. Por que não corta em casa??? E sabe quem passa o aspirador de pó e tem que desgrudar os pedaços??? O assistente de camareiro (nesse caso, eu!).
Há alguns dias um grupo de brasileiros chegou. Todos para trabalhar, é claro. E é gente bem legal, aliás muitos deles fizeram o curso no Ceceth comigo, em maio.
As minhas manas (Eliara e Karine) conseguiram ir para o mesmo navio. Estão no Música. E o meu amigo Fabiano, que embarcou no mesmo dia que eu no Lírica, desistiu e voltou pra casa.
O trabalho aqui é realmente pesado... Você precisa ter a cabeça muito boa para agüentar o cansaço. E há coisas que ajudam muito a superar a dificuldade do serviço. Como por exemplo bons amigos e boas companhias. Eu tenho uma ótima companhia... Meu “excelentíssimo” vai ter que desembarcar... A previsão dele era somente para novembro, mas ele não conseguiu estender o contrato. Vai embora dia 13 de setembro... Ai, tudo que é bom dura pouco... Mas quem sabe como vai ser, né? E bons amigos de verdade eu tenho: Milena, Mãe Cris e Pai Mathias!
Ah, preciso contar que conheci o Hard Rock Café de Atenas... Caracas, muito legal! E as ruínas do templo de Zeus! Nossa, foi de arrepiar!
Eu também fui a uma praia na Grécia (hei, quem pode ir a uma praia grega? Não é pra qualquer um). Nossa, me diverti tanto! Semana que vem irei de novo, porque vai ser a despedida do meu capo (chefe). A festa vai ser lá!
Hoje passei por uma situação inusitada... a minha camareira (a indonesiana Ayu) é muito rápida. A guria só olha a cama e ela se faz sozinha!!! Aí ela sempre está na minha frente, né? Numa dessa, ela saiu de uma cabine e me avisou que eu poderia entrar. Um minuto depois, bati à porta e disse o de sempre: “Housekeeping! Hello, housekeeping!” E ninguém respondeu. Entrei! Fui direto pro banheiro fazer a limpeza do chuveiro. Numa mão o balde com cloro, na outra o caddie-caddie (uma espécie de porta-produto de limpeza). Quando abro a porta com o cotovelo (porque não tinha mais mão, né?) tenho a visão do inferninho: a passageira sentada na privada, nua, lendo revista e fazendo o número 2! Ela deu um grito e eu dei um maior ainda. Nem sabia o que fazer. Saí correndo morrendo de medo de ser xingada. A noite, ela nem olhou na minha cara!!!! Kkkkkkkkkk
E to ganhando gorjeta! Nossa, a seção que estou é muito boa pra isso. Fica perto das suítes. É um corredor com 23 cabines, que só eu e a Ayu cuidamos. Então é muito fácil para os passageiros guardarem nossos rostos. Aí rola o dinheiro.
Outra coisa que to descobrindo é que nem faz tããããão mal pegar comida dos passageiros (tipo bala, chiclete, bolacha que estão em cima da mesa). Não dá mais culpa não!
E a novela da lavanderia? Continua a mesma! Toalhas e lençóis para indonesianos. Para nós brasileiros, é uma briga. E briga mesmo. Sá falta rolar tapas. É engraçado!!!!!
Voltando ao meu excelentíssimo. Foi um tanto inesperado. Achei que ia aproveitar mais! Mas tudo bem! Deus sabe o que faz!
Não posso mentir, já disse e repito. Estou feliz aqui! Tudo tem sido muito bom pra mim. Rezo todos os dias para continuar tendo a sorte de sempre!
Consegui até sorrir quando recebi o meu primeiro salário. Os brasileiros tem um dia certo para todos receberem. Claro que tem fila! Lá estava eu, perdendo uma tarde gostosa de sono, só para receber. Meu contrato é de $1100,00 por mês. Com todos os descontos, recebi somente $100,00. Vamos ver o próximo mês. Eu conto depois!
Teve uma promoção aqui nas lojas só para os crews (minha laia). Aí eu toda faceira comprei dois perfumes e fui empolgada para comprar uma calça da Diesel (original, tá?). Adivinha se serviu? A modelagem européia não serve nas coxas da brasileira aqui. E era tão barata, só quarenta e nove euros.
Então, vou agora parar por aqui porque amanhã é Ancona (embarque e desembarque, dia cheio e pesado). Vou lá pra cabine do meu gatinho!!!! Bjos
E continuo agradecendo todos os dias pelo pé na bunda! Obrigada Senhor!

sábado, 7 de agosto de 2010

De segunda à segunda!!!!! Mas é bom!

Todos já sabem o que faço por aqui. Mas como funciona o restante? É melhor começar definindo a rota do cruzeiro. Cada dia é uma coisa diferente.
Aqui no Armonia, os cruzeiros começam em Veneza. Isso significa que é o local de embarque, já que dura 7 dias. Neste dia, o trabalho começa super cedo. Na noite anterior (de domingo para segunda) os homens do housekeeping buscam as malas de todos os passageiros e levam para a gangway (isso leva a madrugada inteira e eles tem que trabalhar no dia seguinte cedo. Ficam acabados, só à base de energético). Para nós, este dia a lavanderia é mais cedo também. Porque tem que estar pronto as onze da manhã. Aliás, lavanderia tem sido meu pesadelo... Mafiosos... Eita! Há três dias venho tentando conseguir 10 lençóis de casal, mas não tem jeito. Vou ter que procurar o chefe! Quando terminamos a limpeza, almoçamos e já vamos fazer o embarque do passageiro. Funciona assim: temos que usar o uniforme da noite e luvas brancas. Aí o passageiro entra no navio e nós temos que acompanhá-lo até a cabine. Esse navio nem é grande e eu me perco toda vez. São quatro pares de elevadores e nunca sei qual pegar. Aí fico vagando com o passageiro atrás de mim... kkkkkkk. Tem alguns que caem na risada. Tem outros que conhecem o navio melhor que eu. Esses dias atrás eu fiz dois casais de idosos andarem alguns quilômetros aqui dentro porque eu não encontrava a recepção!!!!!! Acho que não gostaram muito, não. Então, lá pelas quatro horas da tarde, tem o drill (exercício de salvamento com os passageiros, que espero nunca precisar usar). Logo depois, pelas cinco da tarde é hora de que?????? Lavanderia!!!!!!!! Oba!!!!! Volta pra fila e pega toalha.
Terça-feira é dia de Dubrovnik (para quem não sabe, fica na Croácia). É bom porque tudo é novidade para os passageiros, aí eles levantam mais cedo pro café e podemos começar mais cedo também. Ainda não conheci muito essa cidade. Fui até o mercado e até um barzinho para mexer na net. Aqui não se usa euro, mas sim kuna. Um euro equivale a sete kunas. Neste lugar os indonesianos e madagascares não podem sair do porto. Questões diplomáticas. Nós brasileiros sim! Podemos sair depois do trabalho e voltamos no finalzinho da tarde (esqueceu a lavanderia, é?).
Quarta-feira é Corfu (na Grécia). Esse dia não rende muito (a única coisa que rende aqui dentro é sono. Tem-se demais. Por que será???). Os passeios para os passageiros são feitos de manhã e o navio sai logo depois do meio-dia. Aí, nesse meio tempo tem o drill para os tripulantes. É engraçado quando é o de bomba. Porque é colocado um pacote suspeito em algum lugar do navio e temos que encontrar. Primeiro temos que vir pra cabine, aí fazemos a vistoria. Se não encontra nada, coloca-se um plástico na porta e volta-se pra seção de trabalho, para procurar. Caso seja encontrado, o exercício é finalizado. Caso não, o comandante dá o aviso de abandonar o navio. Na verdade, é legalzinho. Mas a gente perde tempo do trabalho... As cabines continuam sujas. Portanto, é o dia que não ficam tããããão limpas.
Quinta-feira é o dia de Pireus (pertinho de Athenas). Aliás, fui conhecer. É demais. Só que o sol tava tão forte que passei mal. Nem consegui visitar tudo. Vou ter que gastar o maior dinheirão pra voltar lá de novo. Não me conformo com isso. Acho que aqui é o lugar mais quente do mundo.
Preciso fazer um comentário. Aqui na Grécia existe muita gente bonita (ai ai ai... deuses gregos... kkkkk). Nossa!!!!!!!
Então, sexta-feira é dia de Argostoli (continuamos na Grécia). Tem praias lindas (que não conheci ainda) e a cor do mar é indescritível.
Sábado, pra mim, é dia mais especial. Penso assim porque Kotor (Montenegro) é o lugar mais lindo que já vi na vida. Procure no Google sobre esse lugar. Quando o navio está entrando na região, dá até arrepios. Fica bem no meio de uma cadeia montanhosa maravilhosa. Não dá pra explicar! Onde paramos, tem um castelo que fica em cima de uma dessas montanhas. São cinqüentas minutos de subida (e que subida). Mas nunca irei conhecer. Meu joelho não permite ir até lá. Pertinho do porto tem uma vila que antigamente foi um castelo. Dá pra se sentir dentro daqueles filmes sobre a era medieval... ruelas e vielas... tipo labirinto... Preciso pesquisar de quando é essa construção. Virou um complexo turístico muito lindo. Eu ainda vou morar aqui nessa região!
Domingo estamos em Ancona. Há alguns desembarques. Conseqüentemente, embarque também. É o mesmo esquema de Veneza.
Então, essas duas cidades é praticamente impossível descer para conhecer. Trabalha-se em torno de 18 horas por dia... Mas todo esse cansaço é recompensado pelos lugares que podemos conhecer. Vale a pena sim! E tudo está sendo bom pra mim!!!! Menos o sono. Acho que é difícil você imaginar que estes dez minutos que escrevi este texto eu poderia estar dormindo. Cada momento é precioso!
Aliás, esses dez minutos eu tirei da minha hora de almoço. A comida tava ruim e não consegui comer. Aí resolvi escrever um pouquinho.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A intensidade das coisas!

Estou aqui há pouco tempo...
Me falaram que não é pra eu contar os meses ou dias, mas sim os cruzeiros. Tipo assim, já estou no meu quarto cruzeiro... Isso significa que já limpei 1200 banheiros até agora. kkkkkkkkkkkk. Mais ou menos isso.
O que eu percebo agora que as emoções são muito intensas... Aqui o que é ruim, torna-se ruim demais. O que é bom, é bom demais. Mas tudo tem hora pra acabar... tudo aqui dentro acaba quando seu contrato acaba.
Eu vi pessoas indo embora... chorando de saudade já (é possível ter saudade de sofrimento? Alguém me explica?). Vi pessoas chegando...
Tudo é tão concentrado...
Falando nisso, há muita gente legal também. Minha maior dificuldade é com os próprios brasileiros. Eles são difíceis... Mas no fundo, no fundo, são bons... acho.
Minhas andanças na lavanderia estão me rendendo um novo idioma. Os meninos me ensinaram a falar bom dia e eu te amo. Quando entro lá, fico dizendo isso pra todo mundo. Eles ficam rindo muito de mim...
A comunicação entre as pessoas é tão complicado. Parece ser a torre de Babel... Mas no final tudo compensa...
A única coisa chata é que todos pensam que brasileira é "puta". Isso é um tabu mais difícil de quebrar. Mas é porque as meninas dão motivo mesmo. É só chegar um oficial bonitinho com um meio sorriso que elas ficam tudo nas nuvens... Não aconteceu comigo não. Quem vai me olhar dentro daquele uniforme horroroso????? Hehehehehe. Bem, fui percebida sim, por quem me interessava também. E não é oficial. Melhor assim.
Preciso falar de uma coisa: a comida (hei, a comida do crew mess -nosso refeitório). No começo eu comia tudo. Era boa. Isso no primeiro dia. Nunca pensei que iria negar comida. Mas vai ser bom, assim emagreço e meu pai fica feliz. Ele detesta filha gorda!
Então, neste momento estou em Dubrovnik, na Croácia. Lugar lindo! Morram de inveja!!!! kkkkkkkk
Não to muito inspirada não... Ando dormindo cerca de 4 horas por dia... Mas tô feliz. Preciso voltar pro navio, porque a máfia das toalhas começa daqui a pouco...
Saudade de casa...

sábado, 24 de julho de 2010

O que eu faço por aqui????

É o seguinte:
Eu tive muita sorte. Quando fiz o workshop, fiquei ciente de que tudo seria muito difícil. Que eu chegaria e não teria tempo nem pra descansar, que já começaria a trabalhar, ouvir xingão, etc. E foi isso!!! Hahahahahahahaha. Mas o mais importante disso tudo é que fui colocada em treinamento, junto com outra pessoa. E não fiquei sozinha, como imaginava. Ninguém aqui dentro teve esta sorte (na verdade, eles não tinham onde me encaixar...).
A rotina é exaustiva. Não existe nada de diferente no serviço. Claro que não imaginava que limpar privada seria, um dia, minha profissão. Para ser mais chique, eu sou Assistent Cabin Stewardess (vulgo assistente de camareiro – aquele que só se ferra). Por enquanto os cruzeiros aqui tem duração de 7 dias. Saem de Veneza na segunda-feira, passam pela Croácia, Grécia, Montenegro e volta pra Itália. E todos os dias são quase iguais. Eu acordo às cinco e meia da manhã, para pegar toalha na lavanderia (existe uma máfia de toalhas, acredita?). Os indonesianos dominam essa área. Então sempre falta toalha para os brasileiros. A fila para a laundry já começa as cinco da manhã... é um horror. Junto com meu colega que está me treinando, deixamos o trolly (carrinho de levar toalha) na fila e vamos tomar o café da manhã. Seis e vinte, mais ou menos, voltamos pra fila. Depois de muita briga pra conseguir as benditas, seguimos para a nossa seção, que atualmente é a 15. Lá, são 23 cabines. Então, dobramos tudo, conforme padrão do navio. Logo depois chega o nosso camareiro (a quem somos subordinados e quem fica com toda gorjeta). Ele é de Madagascar e não fala inglês. Imagine a comunicação entre a gente? Uma maravilha. Não se entende bulhufas de nada... O outro assistente é brasileiro... ufa!
Tem que ficar atento aos passageiros que saem das cabines, para poder fazer. Aí entra o trabalho árduo. Caramba, quem disse que limpar banheiro é fácil? Isso que europeu é fedido e sujo. Eca! Eles usam um paninho para limpar as partes íntimas e não tomam banho. O tal paninho fica em cima da pia... e eu limpo a pia!!!!!!!!
Então, vou ser bem sincera. Eu tentei usar luvas (eu sou do tipo nojentinha). Mas não deu certo. No começo quase vomitava. Imagina mexer em lixo... sabe lá tudo o que tem. Só que não tem como... agora pego como se não fosse nada. O incrível que nas cabines onde há mulheres, todas estão menstruadas. Eca eca eca (acho que já disse isso). Todas ao mesmo tempo? E elas nem enrolam o absorvente no papel pra jogar no lixo. Aliás, não existe lixeira para papel higiênico. Joga-se na privada. O restante é colocado na lixeirinha escondida dentro do armário.
Daí, limpando, limpando, limpando... nunca é o suficiente para os chefes... Passei pela minha primeira inspeção (onde eles checam até a repimboca da parafuseta). Foi triste... Já deram castigo (aqui se chama stand by), onde se fica fazendo hora extra (mais?). No entanto, pedimos tantas desculpas e blá blá blá, que nos tiraram.
O primeiro turno termina às duas da tarde (quando eu estiver na minha seção sozinha, vou emendar tudo de certo... sou devagar demais ainda... não dá pra fazer tão rápido assim... humanamente impossível. Então temos uma pausa e voltamos pra fila da laundry de novo as cinco e meia da tarde. Detalhe: acho que os indonesianos dormem por lá, só pode. Levamos o que conseguimos para a seção e vamos jantar (na verdade, engolimos tudo inteiro pra ganhar tempo). Repetimos tudo o que foi feito pela manhã, menos passar o aspirador de pó. Termina-se normalmente pelas dez da noite (traduzindo: normalmente não se aplica a mim quando estiver sozinha, ta?). Acho que vou emendar os turnos trabalhando.
Aí, volto pra minha cabine acabada... Todo tempo livre é precioso. E é verdade uma coisa que ouvi: se você tem um tempinho sobrando, tem que escolher: ou lavar roupa, ou tomar banho, ou dormir, ou passear, ou ligar pra família. Impossível fazer duas coisas ou mais. Não dá mesmo.
E tem mais uma coisa que atrapalha. O fuso horário quando entramos/saímos da Grécia. Ai meu santo! Hoje, saindo, ganho uma hora a mais pra dormir. Aliás é o que vou fazer agora!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Então, né? Cá estou eu!

Minha nossa!!!!!!!! É possível relatar isso daqui?????? Pois então, olha que nem cheguei direito.
Primeiro conselho: não compre uma mala igual a minha... que inferno é carregar aquilo. Preferia tem aquelas malonas enormes e dormir em cima delas do que puxar essa que se fecha (pra não ocupar espaço). Se arrependimento matasse!
Então, o cara nos largou pertinho do navio. Passamos por uma averiguação em terra e daí seguimos para dentro.
Na chegada já me desatei a conversar... em inglês com um segurança croata. Isso foi debaixo de um sol de matar... Aí as malas passaram no raio X e foram todas abertas. Em nenhum momento da viagem pediram pra ver a receita dos remédios que trouxe. Inclusive aqui. O oficial que fez a vistoria foi super simpático. E me deram água porque tava morrendo de sede. E eu lá, largando sorriso pra todo mundo, com medo de ser maltratada (era só que sabia, que brasileiros não são muito bem-vindos aqui). E acharam meu mini ferro de passar roupa... Buáááááááá. Eu já sabia que não podia, mas resolvi tentar. Tomaram de mim. Mas tudo bem.
Peguei tudo e segui para o Crew Purser (onde entregamos os documentos). No meio do caminho, o chefe dos crews me chamou e devolveu o ferro!!!! Tudo na surdina! Pediu pra eu tomar cuidado com ele. Que bom!
E eu tentando ser a Miss Simpatia!!!! Mas vou dizer uma coisa. Aqui, os homens nunca viram mulher. Só pode ser isso. Te olham como se fosse a última da terra. Mas me disseram que daqui a pouco eu acostumo com isso.
Eu cheguei, né? Mas não tinha cabine, nem room mate (colega de quarto). Nem nada. Só tinha fome e sede! Aí me avisaram que eu ia começar a trabalhar às 5 horas. Fui almoçar, peguei o uniforme e ganhei uma cabine. Ia dividir com um hondurenha que só fala espanhol. Ela não estava quando cheguei. Putz, uma cabine suja pra caramba. Nossa, eu não sei o que fazia primeiro: limpava, guardava minhas coisas, tomava banho, dormia (ah, já era um dia inteiro sem dormir). Resolvi “ajeitar” as coisas... guardei minhas roupas e tomei um banho. Aliás, gelado, porque não sabia mexer no chuveiro!
Conheci a Karla, colega de quarto. Muito simpática. A primeira coisa que me perguntou foi se importava do namorado dela dormir aqui. PQP********* O que eu iria dizer. Nossa, que saco. Privacidade nenhuma! Mas resolvi não dizer nada porque acabei de chegar. Logo digo a ela o que penso. Hoje não. Achei melhor não arranjar encrenca por ora.
Deus como eu estava cansada... toda dolorida de carregar minhas malas pra lá e pra cá. Pois então, coloquei meu uniforme (que deve ser uns duzentos número maiores e o alfaiate não podia fazer ajuste naquela hora... é que na verdade tinha que rolar uma propina e eu resolvi ficar com esse saco de batata mesmo).
Meu chief me colocou pra acompanhar outro assistente brasileiro para aprender o serviço. Que bom! Isso significa que não iria pegar no pesado nessa noite.
Só não to me acostumando com um oficial me perseguindo... ai meu santo.

No avião!

No fundo, no fundo, no fundo tudo pode ser engraçado. Depende o ponto de vista!
Vou tentar contar desde minha saída de Florianópolis, no domingo 04 de julho. Meu cunhado e meu sobrinho foram me levar ao aeroporto. Ainda não havia me despedido da Thiara (minha irmã mais nova que estava em Balneário Camboriú visitando o namo). Eu estava mais nervosa por isso do que qualquer outra coisa. Faltavam cinco minutos para embarcar e nada dela. É que a tosca tinha colocado o relógio pra despertar errado. Finalmente ela chegou, foi aquela choradeira. Despedimo-nos e fui...
Cadê meu avião? Ah, pois é... Estava em atraso meteoro (o que é isso?). Não tinha nem saído de Porto Alegre por mau tempo. Minha família foi embora e eu fiquei por lá. Não estava sozinha. Dois casais iriam embarcar comigo, só que pra navios diferentes. Eles me deram bastante apoio. Até mesmo porque o Rogério e a Cristiane são muito engraçados! A Marcinha e o Carlinhos muito queridos! O avião chegou duas horas depois. Ainda tínhamos tempo! Sabia que servem cerveja dentro do vôo da Tam? Hahahaha. Fiquei tontinha no segundo gole!
No Rio de Janeiro fizemos conexão. Encontramos o restante do povo que ia junto. Gente do céu! Eita avião grande esse da Airfrance! Na fila de embarque avistei zilhões de crianças alvoroçando. Já pensei: a sortuda aqui vai sentada do lado delas... Cruzcredo! No entanto, nem querendo eu as encontrei lá dentro. Eram 420 pessoas naquela aeronave. Ah, o negócio não ia subir não! Ia contra as leis da física...!
Minha primeira viagem internacional! Eba! Mas... (sempre tem um mas na minha vida) minha poltrona foi vendida duas vezes. Não tinha onde sentar por enquanto. Imagina a sorte de ter que ir na primeira classe? Mas não fui sortuda. Acharam um assento apertado... E lá fomos nós. Não é que aquele trem decolou? Tá, não é trem, é avião. Mas eu duvidada que subisse... E pra comemorar? Dá-lhe champanhe com o casal Roger/Cris... Eu não estava nem recuperada da cerveja ainda.
Foram dez horas de viagem até Paris. O fuso horário é de 5 horas. Nossa que emoção. Aliás, emoção foi tentar ver do corredor pela janelinha se aparecia a Torre Eiffel... e só vi a menina vomitando... Ninguém merece. O aeroporto é enooooooorme. Ah, se eu estivesse sozinha iria me perder. Com certeza. Estava semi sozinha, mas consegui. É que o pessoal tinha que correr pra fazer conexão pra Amsterdã. Eu iria pra Veneza, só que um pouquinho mais tarde.
Meu vôo pra Veneza foi tranqüilo. Tinha um monte de brasileiros passeando.
Quando chegamos (tinha um guri chamado Lucas embarcando comigo), não tinha ninguém esperando por nós... O número do tel que o Ceceth passou do MSC daqui, no caso de alguma emergência, não funcionou. Nossa, podia matar alguém... Mas um tempo depois apareceu um cara e nos levou até o navio. E nem sinal da gôndolas... KKKKK. Per amore... Como se vai a Veneza e não se vê gôndolas? É a mesma coisa que ir a Roma e não ver o papa.
Minha chegada é história pra outro dia...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quer trabalhar em navio? Veja só...






Dia 21 de junho fui avisada sobre meu embarque... Mas até chegar esse dia...



O pezão que eu tomei foi em janeiro. Em fevereiro plantei a sementinha da dúvida (vou pra um navio ou não? Eis a questão).



Enviei meu currículo para o Ceceth em março. Nunca tinha ouvido falar dessa agência, não escolhi por acaso, foi por indicação mesmo. Alguns colegas já tinham embarcado por ela, então resolvi tentar.



A agência exigia um depósito. O restante seria pago no primeiro dia.



Em abril fiz o workshop. Sinceramente esperava um pouco mais de animosidade, mas paranaense é meio frio mesmo, principalmente de Curitiba. A primeira coisa a fazer foi pagar, claro. Mas o Arthur (um dos proprietários) foi super legal. Foi aí que esclareceram que eu precisava do Stcw também (eita, ninguém tinha me falado isso). Como não tinha mais vagas, teria que voltar no mês seguinte.



Durante o curso, foi possível conhecer as funções e vagas disponíveis nos navios da MSC para o Ceceth. Não eram muitas. Entre todas, me identifiquei mais com governança. Sempre gostei de cuidar da casa... então era o mais próximo da realidade. Se eu escolhesse algo ligado a restaurante, não ia dar certo. Sou muito desastrada. Tenho certeza que se passasse com bandeja, ia deixar cair na cabeça de alguém importante. Essa sou eu!!!!!!



Housekeeping (governança), exigia inglês intermediário.



Aliás, nível de inglês continua sendo motivo de discórdia e preocupação para muitos colegas meus.



A função é escolhida pelo candidato, de acordo com afinidades, durante uma entrevista pessoal com a Isabela (a dona da agência). Ela, claro, avalia o seu perfil, seu inglês, numa conversa esclarecedora. Mas não espere ninguém passar a mão na sua cabeça, porque não existe isso.



Nos dias de curso, conheci tanta gente legal... A mana Karine, a maninha Eliara, o mano Wellington, a Daisy... e tantos outros. Tinha gente do Brasil inteiro! Todos atrás de diversão, $$$ e histórias.



Na fase do ws, são entregues todos os documentos digitalizados e assina-se o contrato com a agência (primeiro passo).



Em maio voltei para fazer o Stcw. A euforia tinha passado. Eu já estava com os pés no chão, acerca das vantagens e desvantagens, dos 9 meses longe da família. Então foi mais complicado debater com os iludidos que encontrei por lá. Nossa, porque no começo se cria uma expectativa tão grande.



Para esta fase é necessário um atestado médico dizendo que vc está apto para tal atividade. Meu médico (vulgo Dr. Tchananan) me deu tanto apoio e tanta ajuda!



O Stcw é um curso obrigatório, a nível internacional, para qualquer pessoa que vá trabalhar num navio. Aprendi a pular do navio, apagar incêndios, etc. Aliás, dizem que fogo é muito comum dentro da embarcação!



Você não embarca sem o certificado deste curso, que leva 30 dias pra chegar até sua casa. Quando fui avisada que recebi, quase tive um treco. Pulava feito um canguru... Hahahaha. Liguei pra todo mundo (até pra Dê, lá de Aracaju).



Então, até ser chamada, foi necessário (contando que estava indo pela MSC)






  • Workshop (em abril R$ 750,00)



  • Stcw (em maio R$ 750,00)



  • atestado médico



  • exames de sangue, urina, oftalmológico e pulmão (R$$$$$ incontáveis)



  • ficha médica devidamente preenchida



  • documentos em dia



Tudo enviado para o Ceceth, chegou o grande dia! Foi 21 de junho, às 22:15h, a Isabela me ligou avisando que ia embarcar no dia 05/07 em Veneza. Meu Deus... Fiquei branca, azul, amarela, roxa, verde... não tinha palavras na boca e nem nada na cabeça. Faltavam poucos dias pra eu ir embora...




Aí começaram as compras de tudo na lista (eles te encaminham um lista com tudo que tem que levar): despertador, cadeados, remédios, artigos de higiene, uniformes (a MSC não dá, vc tem que pagar por eles), sapatos mega confortáveis, malas. E tudo de uma vez, é caro pra caramba.




Recebi o contrato da companhia, as passagens... e agora é só embarcar. Faço o aéreo de Florianópolis, Rio de Janeiro, Paris e finalmente Veneza (onde espero pegar o navio).

De janeiro até junho, foi tudo muito rápido!





Como tudo começou!!!!!!!

A minha história não é diferente das outras. Tudo começou com...


... Era uma vez... um pé na bunda! Puf! Pronto!


E aqui estou eu!!!!!! Aliás, foi isso que abriu minhas portas para o mundo! Isso que me fez ver que preciso ter histórias para contar; preciso viver aventuras; preciso viver uma vida!


A partir disso, um amigo (o Mauro, de CP) me incentivou a tentar trabalhar num navio. E várias pessoas foram colaborando com a idéia (até o Miojo), dizendo que eu precisava conquistar o que está lá fora...


Foi o que fiz. Mandei currículos para várias agências de recrutamento e seleção para navios. Mas muitas vezes esbarrava na dificuldade de preencher os formulários em inglês e também pelo fato que não tinha passaporte ainda... Corri atrás. Fiz tudo. Pedi ajuda. E mandei para o Ceceth em Curitiba! Foi então que recebi o email me chamando... ai ai ai... fiquei tão feliz!!!!


Fui fazer o workshop em abril (não estava ciente ainda que o Stcw era obrigatório). Lá foi possível ter uma noção beeeem grande de tudo que estava por vir. Das dificuldades, das dores, das alegrias e decepções (mais?). Conheci um montão de pessoas com a mesma ânsia que eu (nossa, não estava perdida sozinha...) e que marcariam a minha vida, com muita luz!


Em maio tive que voltar a Curitiba, agora pra fazer o Stcw. Mais um monte de gente igual a mim... Nossa! Todos querendo história! O curso de salvatagem foi muito legal, mas se o navio afundar, estou ferrada... não consegui entrar no bote! Hahahahahahaha


Com estes cursos prontos, era hora de fazer exames médicos e laboratoriais... Para ficar apta a embarcar.


O problema disso tudo foi o custo monetário que tive que gastar de uma vez só. Foi alto, hein? O gasto com viagens, exames, e tudo mais que está por vir... Meu santo. Se não fosse minha mãe, nada disso seria possível!


Cada passo dado era motivo de alegria. Toda vez que eu enviava algum documento para o Ceceth, o coração disparava. Porque estava ficando cada vez mais real essa decisão...


Nesse meio tempo eu estava trabalhando numa agência de viagens (o que me ajudou muito para poder comprar tudo o que faltava).


E o melhor dessa espera toda sempre foi os fóruns diários de discussão pelo msn com o povo que fez curso comigo! Era motivo de muita risada também. E todas as dificuldades e dúvidas não eram só minhas, eram deles também.
Maninhas Eliara, Karine e Eu!

Portanto, depois de algumas semanas, eu estava apta a ser chamada... Agora era só esperar...




Mais tarde eu continuo..