terça-feira, 27 de julho de 2010
A intensidade das coisas!
Estou aqui há pouco tempo...
Me falaram que não é pra eu contar os meses ou dias, mas sim os cruzeiros. Tipo assim, já estou no meu quarto cruzeiro... Isso significa que já limpei 1200 banheiros até agora. kkkkkkkkkkkk. Mais ou menos isso.
O que eu percebo agora que as emoções são muito intensas... Aqui o que é ruim, torna-se ruim demais. O que é bom, é bom demais. Mas tudo tem hora pra acabar... tudo aqui dentro acaba quando seu contrato acaba.
Eu vi pessoas indo embora... chorando de saudade já (é possível ter saudade de sofrimento? Alguém me explica?). Vi pessoas chegando...
Tudo é tão concentrado...
Falando nisso, há muita gente legal também. Minha maior dificuldade é com os próprios brasileiros. Eles são difíceis... Mas no fundo, no fundo, são bons... acho.
Minhas andanças na lavanderia estão me rendendo um novo idioma. Os meninos me ensinaram a falar bom dia e eu te amo. Quando entro lá, fico dizendo isso pra todo mundo. Eles ficam rindo muito de mim...
A comunicação entre as pessoas é tão complicado. Parece ser a torre de Babel... Mas no final tudo compensa...
A única coisa chata é que todos pensam que brasileira é "puta". Isso é um tabu mais difícil de quebrar. Mas é porque as meninas dão motivo mesmo. É só chegar um oficial bonitinho com um meio sorriso que elas ficam tudo nas nuvens... Não aconteceu comigo não. Quem vai me olhar dentro daquele uniforme horroroso????? Hehehehehe. Bem, fui percebida sim, por quem me interessava também. E não é oficial. Melhor assim.
Preciso falar de uma coisa: a comida (hei, a comida do crew mess -nosso refeitório). No começo eu comia tudo. Era boa. Isso no primeiro dia. Nunca pensei que iria negar comida. Mas vai ser bom, assim emagreço e meu pai fica feliz. Ele detesta filha gorda!
Então, neste momento estou em Dubrovnik, na Croácia. Lugar lindo! Morram de inveja!!!! kkkkkkkk
Não to muito inspirada não... Ando dormindo cerca de 4 horas por dia... Mas tô feliz. Preciso voltar pro navio, porque a máfia das toalhas começa daqui a pouco...
Saudade de casa...
Me falaram que não é pra eu contar os meses ou dias, mas sim os cruzeiros. Tipo assim, já estou no meu quarto cruzeiro... Isso significa que já limpei 1200 banheiros até agora. kkkkkkkkkkkk. Mais ou menos isso.
O que eu percebo agora que as emoções são muito intensas... Aqui o que é ruim, torna-se ruim demais. O que é bom, é bom demais. Mas tudo tem hora pra acabar... tudo aqui dentro acaba quando seu contrato acaba.
Eu vi pessoas indo embora... chorando de saudade já (é possível ter saudade de sofrimento? Alguém me explica?). Vi pessoas chegando...
Tudo é tão concentrado...
Falando nisso, há muita gente legal também. Minha maior dificuldade é com os próprios brasileiros. Eles são difíceis... Mas no fundo, no fundo, são bons... acho.
Minhas andanças na lavanderia estão me rendendo um novo idioma. Os meninos me ensinaram a falar bom dia e eu te amo. Quando entro lá, fico dizendo isso pra todo mundo. Eles ficam rindo muito de mim...
A comunicação entre as pessoas é tão complicado. Parece ser a torre de Babel... Mas no final tudo compensa...
A única coisa chata é que todos pensam que brasileira é "puta". Isso é um tabu mais difícil de quebrar. Mas é porque as meninas dão motivo mesmo. É só chegar um oficial bonitinho com um meio sorriso que elas ficam tudo nas nuvens... Não aconteceu comigo não. Quem vai me olhar dentro daquele uniforme horroroso????? Hehehehehe. Bem, fui percebida sim, por quem me interessava também. E não é oficial. Melhor assim.
Preciso falar de uma coisa: a comida (hei, a comida do crew mess -nosso refeitório). No começo eu comia tudo. Era boa. Isso no primeiro dia. Nunca pensei que iria negar comida. Mas vai ser bom, assim emagreço e meu pai fica feliz. Ele detesta filha gorda!
Então, neste momento estou em Dubrovnik, na Croácia. Lugar lindo! Morram de inveja!!!! kkkkkkkk
Não to muito inspirada não... Ando dormindo cerca de 4 horas por dia... Mas tô feliz. Preciso voltar pro navio, porque a máfia das toalhas começa daqui a pouco...
Saudade de casa...
sábado, 24 de julho de 2010
O que eu faço por aqui????
É o seguinte:
Eu tive muita sorte. Quando fiz o workshop, fiquei ciente de que tudo seria muito difícil. Que eu chegaria e não teria tempo nem pra descansar, que já começaria a trabalhar, ouvir xingão, etc. E foi isso!!! Hahahahahahahaha. Mas o mais importante disso tudo é que fui colocada em treinamento, junto com outra pessoa. E não fiquei sozinha, como imaginava. Ninguém aqui dentro teve esta sorte (na verdade, eles não tinham onde me encaixar...).
A rotina é exaustiva. Não existe nada de diferente no serviço. Claro que não imaginava que limpar privada seria, um dia, minha profissão. Para ser mais chique, eu sou Assistent Cabin Stewardess (vulgo assistente de camareiro – aquele que só se ferra). Por enquanto os cruzeiros aqui tem duração de 7 dias. Saem de Veneza na segunda-feira, passam pela Croácia, Grécia, Montenegro e volta pra Itália. E todos os dias são quase iguais. Eu acordo às cinco e meia da manhã, para pegar toalha na lavanderia (existe uma máfia de toalhas, acredita?). Os indonesianos dominam essa área. Então sempre falta toalha para os brasileiros. A fila para a laundry já começa as cinco da manhã... é um horror. Junto com meu colega que está me treinando, deixamos o trolly (carrinho de levar toalha) na fila e vamos tomar o café da manhã. Seis e vinte, mais ou menos, voltamos pra fila. Depois de muita briga pra conseguir as benditas, seguimos para a nossa seção, que atualmente é a 15. Lá, são 23 cabines. Então, dobramos tudo, conforme padrão do navio. Logo depois chega o nosso camareiro (a quem somos subordinados e quem fica com toda gorjeta). Ele é de Madagascar e não fala inglês. Imagine a comunicação entre a gente? Uma maravilha. Não se entende bulhufas de nada... O outro assistente é brasileiro... ufa!
Tem que ficar atento aos passageiros que saem das cabines, para poder fazer. Aí entra o trabalho árduo. Caramba, quem disse que limpar banheiro é fácil? Isso que europeu é fedido e sujo. Eca! Eles usam um paninho para limpar as partes íntimas e não tomam banho. O tal paninho fica em cima da pia... e eu limpo a pia!!!!!!!!
Então, vou ser bem sincera. Eu tentei usar luvas (eu sou do tipo nojentinha). Mas não deu certo. No começo quase vomitava. Imagina mexer em lixo... sabe lá tudo o que tem. Só que não tem como... agora pego como se não fosse nada. O incrível que nas cabines onde há mulheres, todas estão menstruadas. Eca eca eca (acho que já disse isso). Todas ao mesmo tempo? E elas nem enrolam o absorvente no papel pra jogar no lixo. Aliás, não existe lixeira para papel higiênico. Joga-se na privada. O restante é colocado na lixeirinha escondida dentro do armário.
Daí, limpando, limpando, limpando... nunca é o suficiente para os chefes... Passei pela minha primeira inspeção (onde eles checam até a repimboca da parafuseta). Foi triste... Já deram castigo (aqui se chama stand by), onde se fica fazendo hora extra (mais?). No entanto, pedimos tantas desculpas e blá blá blá, que nos tiraram.
O primeiro turno termina às duas da tarde (quando eu estiver na minha seção sozinha, vou emendar tudo de certo... sou devagar demais ainda... não dá pra fazer tão rápido assim... humanamente impossível. Então temos uma pausa e voltamos pra fila da laundry de novo as cinco e meia da tarde. Detalhe: acho que os indonesianos dormem por lá, só pode. Levamos o que conseguimos para a seção e vamos jantar (na verdade, engolimos tudo inteiro pra ganhar tempo). Repetimos tudo o que foi feito pela manhã, menos passar o aspirador de pó. Termina-se normalmente pelas dez da noite (traduzindo: normalmente não se aplica a mim quando estiver sozinha, ta?). Acho que vou emendar os turnos trabalhando.
Aí, volto pra minha cabine acabada... Todo tempo livre é precioso. E é verdade uma coisa que ouvi: se você tem um tempinho sobrando, tem que escolher: ou lavar roupa, ou tomar banho, ou dormir, ou passear, ou ligar pra família. Impossível fazer duas coisas ou mais. Não dá mesmo.
E tem mais uma coisa que atrapalha. O fuso horário quando entramos/saímos da Grécia. Ai meu santo! Hoje, saindo, ganho uma hora a mais pra dormir. Aliás é o que vou fazer agora!
Eu tive muita sorte. Quando fiz o workshop, fiquei ciente de que tudo seria muito difícil. Que eu chegaria e não teria tempo nem pra descansar, que já começaria a trabalhar, ouvir xingão, etc. E foi isso!!! Hahahahahahahaha. Mas o mais importante disso tudo é que fui colocada em treinamento, junto com outra pessoa. E não fiquei sozinha, como imaginava. Ninguém aqui dentro teve esta sorte (na verdade, eles não tinham onde me encaixar...).
A rotina é exaustiva. Não existe nada de diferente no serviço. Claro que não imaginava que limpar privada seria, um dia, minha profissão. Para ser mais chique, eu sou Assistent Cabin Stewardess (vulgo assistente de camareiro – aquele que só se ferra). Por enquanto os cruzeiros aqui tem duração de 7 dias. Saem de Veneza na segunda-feira, passam pela Croácia, Grécia, Montenegro e volta pra Itália. E todos os dias são quase iguais. Eu acordo às cinco e meia da manhã, para pegar toalha na lavanderia (existe uma máfia de toalhas, acredita?). Os indonesianos dominam essa área. Então sempre falta toalha para os brasileiros. A fila para a laundry já começa as cinco da manhã... é um horror. Junto com meu colega que está me treinando, deixamos o trolly (carrinho de levar toalha) na fila e vamos tomar o café da manhã. Seis e vinte, mais ou menos, voltamos pra fila. Depois de muita briga pra conseguir as benditas, seguimos para a nossa seção, que atualmente é a 15. Lá, são 23 cabines. Então, dobramos tudo, conforme padrão do navio. Logo depois chega o nosso camareiro (a quem somos subordinados e quem fica com toda gorjeta). Ele é de Madagascar e não fala inglês. Imagine a comunicação entre a gente? Uma maravilha. Não se entende bulhufas de nada... O outro assistente é brasileiro... ufa!
Tem que ficar atento aos passageiros que saem das cabines, para poder fazer. Aí entra o trabalho árduo. Caramba, quem disse que limpar banheiro é fácil? Isso que europeu é fedido e sujo. Eca! Eles usam um paninho para limpar as partes íntimas e não tomam banho. O tal paninho fica em cima da pia... e eu limpo a pia!!!!!!!!
Então, vou ser bem sincera. Eu tentei usar luvas (eu sou do tipo nojentinha). Mas não deu certo. No começo quase vomitava. Imagina mexer em lixo... sabe lá tudo o que tem. Só que não tem como... agora pego como se não fosse nada. O incrível que nas cabines onde há mulheres, todas estão menstruadas. Eca eca eca (acho que já disse isso). Todas ao mesmo tempo? E elas nem enrolam o absorvente no papel pra jogar no lixo. Aliás, não existe lixeira para papel higiênico. Joga-se na privada. O restante é colocado na lixeirinha escondida dentro do armário.
Daí, limpando, limpando, limpando... nunca é o suficiente para os chefes... Passei pela minha primeira inspeção (onde eles checam até a repimboca da parafuseta). Foi triste... Já deram castigo (aqui se chama stand by), onde se fica fazendo hora extra (mais?). No entanto, pedimos tantas desculpas e blá blá blá, que nos tiraram.
O primeiro turno termina às duas da tarde (quando eu estiver na minha seção sozinha, vou emendar tudo de certo... sou devagar demais ainda... não dá pra fazer tão rápido assim... humanamente impossível. Então temos uma pausa e voltamos pra fila da laundry de novo as cinco e meia da tarde. Detalhe: acho que os indonesianos dormem por lá, só pode. Levamos o que conseguimos para a seção e vamos jantar (na verdade, engolimos tudo inteiro pra ganhar tempo). Repetimos tudo o que foi feito pela manhã, menos passar o aspirador de pó. Termina-se normalmente pelas dez da noite (traduzindo: normalmente não se aplica a mim quando estiver sozinha, ta?). Acho que vou emendar os turnos trabalhando.
Aí, volto pra minha cabine acabada... Todo tempo livre é precioso. E é verdade uma coisa que ouvi: se você tem um tempinho sobrando, tem que escolher: ou lavar roupa, ou tomar banho, ou dormir, ou passear, ou ligar pra família. Impossível fazer duas coisas ou mais. Não dá mesmo.
E tem mais uma coisa que atrapalha. O fuso horário quando entramos/saímos da Grécia. Ai meu santo! Hoje, saindo, ganho uma hora a mais pra dormir. Aliás é o que vou fazer agora!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Então, né? Cá estou eu!
Minha nossa!!!!!!!! É possível relatar isso daqui?????? Pois então, olha que nem cheguei direito.
Primeiro conselho: não compre uma mala igual a minha... que inferno é carregar aquilo. Preferia tem aquelas malonas enormes e dormir em cima delas do que puxar essa que se fecha (pra não ocupar espaço). Se arrependimento matasse!
Então, o cara nos largou pertinho do navio. Passamos por uma averiguação em terra e daí seguimos para dentro.
Na chegada já me desatei a conversar... em inglês com um segurança croata. Isso foi debaixo de um sol de matar... Aí as malas passaram no raio X e foram todas abertas. Em nenhum momento da viagem pediram pra ver a receita dos remédios que trouxe. Inclusive aqui. O oficial que fez a vistoria foi super simpático. E me deram água porque tava morrendo de sede. E eu lá, largando sorriso pra todo mundo, com medo de ser maltratada (era só que sabia, que brasileiros não são muito bem-vindos aqui). E acharam meu mini ferro de passar roupa... Buáááááááá. Eu já sabia que não podia, mas resolvi tentar. Tomaram de mim. Mas tudo bem.
Peguei tudo e segui para o Crew Purser (onde entregamos os documentos). No meio do caminho, o chefe dos crews me chamou e devolveu o ferro!!!! Tudo na surdina! Pediu pra eu tomar cuidado com ele. Que bom!
E eu tentando ser a Miss Simpatia!!!! Mas vou dizer uma coisa. Aqui, os homens nunca viram mulher. Só pode ser isso. Te olham como se fosse a última da terra. Mas me disseram que daqui a pouco eu acostumo com isso.
Eu cheguei, né? Mas não tinha cabine, nem room mate (colega de quarto). Nem nada. Só tinha fome e sede! Aí me avisaram que eu ia começar a trabalhar às 5 horas. Fui almoçar, peguei o uniforme e ganhei uma cabine. Ia dividir com um hondurenha que só fala espanhol. Ela não estava quando cheguei. Putz, uma cabine suja pra caramba. Nossa, eu não sei o que fazia primeiro: limpava, guardava minhas coisas, tomava banho, dormia (ah, já era um dia inteiro sem dormir). Resolvi “ajeitar” as coisas... guardei minhas roupas e tomei um banho. Aliás, gelado, porque não sabia mexer no chuveiro!
Conheci a Karla, colega de quarto. Muito simpática. A primeira coisa que me perguntou foi se importava do namorado dela dormir aqui. PQP********* O que eu iria dizer. Nossa, que saco. Privacidade nenhuma! Mas resolvi não dizer nada porque acabei de chegar. Logo digo a ela o que penso. Hoje não. Achei melhor não arranjar encrenca por ora.
Deus como eu estava cansada... toda dolorida de carregar minhas malas pra lá e pra cá. Pois então, coloquei meu uniforme (que deve ser uns duzentos número maiores e o alfaiate não podia fazer ajuste naquela hora... é que na verdade tinha que rolar uma propina e eu resolvi ficar com esse saco de batata mesmo).
Meu chief me colocou pra acompanhar outro assistente brasileiro para aprender o serviço. Que bom! Isso significa que não iria pegar no pesado nessa noite.
Só não to me acostumando com um oficial me perseguindo... ai meu santo.
Primeiro conselho: não compre uma mala igual a minha... que inferno é carregar aquilo. Preferia tem aquelas malonas enormes e dormir em cima delas do que puxar essa que se fecha (pra não ocupar espaço). Se arrependimento matasse!
Então, o cara nos largou pertinho do navio. Passamos por uma averiguação em terra e daí seguimos para dentro.
Na chegada já me desatei a conversar... em inglês com um segurança croata. Isso foi debaixo de um sol de matar... Aí as malas passaram no raio X e foram todas abertas. Em nenhum momento da viagem pediram pra ver a receita dos remédios que trouxe. Inclusive aqui. O oficial que fez a vistoria foi super simpático. E me deram água porque tava morrendo de sede. E eu lá, largando sorriso pra todo mundo, com medo de ser maltratada (era só que sabia, que brasileiros não são muito bem-vindos aqui). E acharam meu mini ferro de passar roupa... Buáááááááá. Eu já sabia que não podia, mas resolvi tentar. Tomaram de mim. Mas tudo bem.
Peguei tudo e segui para o Crew Purser (onde entregamos os documentos). No meio do caminho, o chefe dos crews me chamou e devolveu o ferro!!!! Tudo na surdina! Pediu pra eu tomar cuidado com ele. Que bom!
E eu tentando ser a Miss Simpatia!!!! Mas vou dizer uma coisa. Aqui, os homens nunca viram mulher. Só pode ser isso. Te olham como se fosse a última da terra. Mas me disseram que daqui a pouco eu acostumo com isso.
Eu cheguei, né? Mas não tinha cabine, nem room mate (colega de quarto). Nem nada. Só tinha fome e sede! Aí me avisaram que eu ia começar a trabalhar às 5 horas. Fui almoçar, peguei o uniforme e ganhei uma cabine. Ia dividir com um hondurenha que só fala espanhol. Ela não estava quando cheguei. Putz, uma cabine suja pra caramba. Nossa, eu não sei o que fazia primeiro: limpava, guardava minhas coisas, tomava banho, dormia (ah, já era um dia inteiro sem dormir). Resolvi “ajeitar” as coisas... guardei minhas roupas e tomei um banho. Aliás, gelado, porque não sabia mexer no chuveiro!
Conheci a Karla, colega de quarto. Muito simpática. A primeira coisa que me perguntou foi se importava do namorado dela dormir aqui. PQP********* O que eu iria dizer. Nossa, que saco. Privacidade nenhuma! Mas resolvi não dizer nada porque acabei de chegar. Logo digo a ela o que penso. Hoje não. Achei melhor não arranjar encrenca por ora.
Deus como eu estava cansada... toda dolorida de carregar minhas malas pra lá e pra cá. Pois então, coloquei meu uniforme (que deve ser uns duzentos número maiores e o alfaiate não podia fazer ajuste naquela hora... é que na verdade tinha que rolar uma propina e eu resolvi ficar com esse saco de batata mesmo).
Meu chief me colocou pra acompanhar outro assistente brasileiro para aprender o serviço. Que bom! Isso significa que não iria pegar no pesado nessa noite.
Só não to me acostumando com um oficial me perseguindo... ai meu santo.
No avião!
No fundo, no fundo, no fundo tudo pode ser engraçado. Depende o ponto de vista!
Vou tentar contar desde minha saída de Florianópolis, no domingo 04 de julho. Meu cunhado e meu sobrinho foram me levar ao aeroporto. Ainda não havia me despedido da Thiara (minha irmã mais nova que estava em Balneário Camboriú visitando o namo). Eu estava mais nervosa por isso do que qualquer outra coisa. Faltavam cinco minutos para embarcar e nada dela. É que a tosca tinha colocado o relógio pra despertar errado. Finalmente ela chegou, foi aquela choradeira. Despedimo-nos e fui...
Cadê meu avião? Ah, pois é... Estava em atraso meteoro (o que é isso?). Não tinha nem saído de Porto Alegre por mau tempo. Minha família foi embora e eu fiquei por lá. Não estava sozinha. Dois casais iriam embarcar comigo, só que pra navios diferentes. Eles me deram bastante apoio. Até mesmo porque o Rogério e a Cristiane são muito engraçados! A Marcinha e o Carlinhos muito queridos! O avião chegou duas horas depois. Ainda tínhamos tempo! Sabia que servem cerveja dentro do vôo da Tam? Hahahaha. Fiquei tontinha no segundo gole!
No Rio de Janeiro fizemos conexão. Encontramos o restante do povo que ia junto. Gente do céu! Eita avião grande esse da Airfrance! Na fila de embarque avistei zilhões de crianças alvoroçando. Já pensei: a sortuda aqui vai sentada do lado delas... Cruzcredo! No entanto, nem querendo eu as encontrei lá dentro. Eram 420 pessoas naquela aeronave. Ah, o negócio não ia subir não! Ia contra as leis da física...!
Minha primeira viagem internacional! Eba! Mas... (sempre tem um mas na minha vida) minha poltrona foi vendida duas vezes. Não tinha onde sentar por enquanto. Imagina a sorte de ter que ir na primeira classe? Mas não fui sortuda. Acharam um assento apertado... E lá fomos nós. Não é que aquele trem decolou? Tá, não é trem, é avião. Mas eu duvidada que subisse... E pra comemorar? Dá-lhe champanhe com o casal Roger/Cris... Eu não estava nem recuperada da cerveja ainda.
Foram dez horas de viagem até Paris. O fuso horário é de 5 horas. Nossa que emoção. Aliás, emoção foi tentar ver do corredor pela janelinha se aparecia a Torre Eiffel... e só vi a menina vomitando... Ninguém merece. O aeroporto é enooooooorme. Ah, se eu estivesse sozinha iria me perder. Com certeza. Estava semi sozinha, mas consegui. É que o pessoal tinha que correr pra fazer conexão pra Amsterdã. Eu iria pra Veneza, só que um pouquinho mais tarde.
Meu vôo pra Veneza foi tranqüilo. Tinha um monte de brasileiros passeando.
Quando chegamos (tinha um guri chamado Lucas embarcando comigo), não tinha ninguém esperando por nós... O número do tel que o Ceceth passou do MSC daqui, no caso de alguma emergência, não funcionou. Nossa, podia matar alguém... Mas um tempo depois apareceu um cara e nos levou até o navio. E nem sinal da gôndolas... KKKKK. Per amore... Como se vai a Veneza e não se vê gôndolas? É a mesma coisa que ir a Roma e não ver o papa.
Minha chegada é história pra outro dia...
Vou tentar contar desde minha saída de Florianópolis, no domingo 04 de julho. Meu cunhado e meu sobrinho foram me levar ao aeroporto. Ainda não havia me despedido da Thiara (minha irmã mais nova que estava em Balneário Camboriú visitando o namo). Eu estava mais nervosa por isso do que qualquer outra coisa. Faltavam cinco minutos para embarcar e nada dela. É que a tosca tinha colocado o relógio pra despertar errado. Finalmente ela chegou, foi aquela choradeira. Despedimo-nos e fui...
Cadê meu avião? Ah, pois é... Estava em atraso meteoro (o que é isso?). Não tinha nem saído de Porto Alegre por mau tempo. Minha família foi embora e eu fiquei por lá. Não estava sozinha. Dois casais iriam embarcar comigo, só que pra navios diferentes. Eles me deram bastante apoio. Até mesmo porque o Rogério e a Cristiane são muito engraçados! A Marcinha e o Carlinhos muito queridos! O avião chegou duas horas depois. Ainda tínhamos tempo! Sabia que servem cerveja dentro do vôo da Tam? Hahahaha. Fiquei tontinha no segundo gole!
No Rio de Janeiro fizemos conexão. Encontramos o restante do povo que ia junto. Gente do céu! Eita avião grande esse da Airfrance! Na fila de embarque avistei zilhões de crianças alvoroçando. Já pensei: a sortuda aqui vai sentada do lado delas... Cruzcredo! No entanto, nem querendo eu as encontrei lá dentro. Eram 420 pessoas naquela aeronave. Ah, o negócio não ia subir não! Ia contra as leis da física...!
Minha primeira viagem internacional! Eba! Mas... (sempre tem um mas na minha vida) minha poltrona foi vendida duas vezes. Não tinha onde sentar por enquanto. Imagina a sorte de ter que ir na primeira classe? Mas não fui sortuda. Acharam um assento apertado... E lá fomos nós. Não é que aquele trem decolou? Tá, não é trem, é avião. Mas eu duvidada que subisse... E pra comemorar? Dá-lhe champanhe com o casal Roger/Cris... Eu não estava nem recuperada da cerveja ainda.
Foram dez horas de viagem até Paris. O fuso horário é de 5 horas. Nossa que emoção. Aliás, emoção foi tentar ver do corredor pela janelinha se aparecia a Torre Eiffel... e só vi a menina vomitando... Ninguém merece. O aeroporto é enooooooorme. Ah, se eu estivesse sozinha iria me perder. Com certeza. Estava semi sozinha, mas consegui. É que o pessoal tinha que correr pra fazer conexão pra Amsterdã. Eu iria pra Veneza, só que um pouquinho mais tarde.
Meu vôo pra Veneza foi tranqüilo. Tinha um monte de brasileiros passeando.
Quando chegamos (tinha um guri chamado Lucas embarcando comigo), não tinha ninguém esperando por nós... O número do tel que o Ceceth passou do MSC daqui, no caso de alguma emergência, não funcionou. Nossa, podia matar alguém... Mas um tempo depois apareceu um cara e nos levou até o navio. E nem sinal da gôndolas... KKKKK. Per amore... Como se vai a Veneza e não se vê gôndolas? É a mesma coisa que ir a Roma e não ver o papa.
Minha chegada é história pra outro dia...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Quer trabalhar em navio? Veja só...
Dia 21 de junho fui avisada sobre meu embarque... Mas até chegar esse dia...
O pezão que eu tomei foi em janeiro. Em fevereiro plantei a sementinha da dúvida (vou pra um navio ou não? Eis a questão).
Enviei meu currículo para o Ceceth em março. Nunca tinha ouvido falar dessa agência, não escolhi por acaso, foi por indicação mesmo. Alguns colegas já tinham embarcado por ela, então resolvi tentar.
A agência exigia um depósito. O restante seria pago no primeiro dia.
Em abril fiz o workshop. Sinceramente esperava um pouco mais de animosidade, mas paranaense é meio frio mesmo, principalmente de Curitiba. A primeira coisa a fazer foi pagar, claro. Mas o Arthur (um dos proprietários) foi super legal. Foi aí que esclareceram que eu precisava do Stcw também (eita, ninguém tinha me falado isso). Como não tinha mais vagas, teria que voltar no mês seguinte.
Durante o curso, foi possível conhecer as funções e vagas disponíveis nos navios da MSC para o Ceceth. Não eram muitas. Entre todas, me identifiquei mais com governança. Sempre gostei de cuidar da casa... então era o mais próximo da realidade. Se eu escolhesse algo ligado a restaurante, não ia dar certo. Sou muito desastrada. Tenho certeza que se passasse com bandeja, ia deixar cair na cabeça de alguém importante. Essa sou eu!!!!!!
Housekeeping (governança), exigia inglês intermediário.
Aliás, nível de inglês continua sendo motivo de discórdia e preocupação para muitos colegas meus.
A função é escolhida pelo candidato, de acordo com afinidades, durante uma entrevista pessoal com a Isabela (a dona da agência). Ela, claro, avalia o seu perfil, seu inglês, numa conversa esclarecedora. Mas não espere ninguém passar a mão na sua cabeça, porque não existe isso.

Nos dias de curso, conheci tanta gente legal... A mana Karine, a maninha Eliara, o mano Wellington, a Daisy... e tantos outros. Tinha gente do Brasil inteiro! Todos atrás de diversão, $$$ e histórias.
Na fase do ws, são entregues todos os documentos digitalizados e assina-se o contrato com a agência (primeiro passo).
Em maio voltei para fazer o Stcw. A euforia tinha passado. Eu já estava com os pés no chão, acerca das vantagens e desvantagens, dos 9 meses longe da família. Então foi mais complicado debater com os iludidos que encontrei por lá. Nossa, porque no começo se cria uma expectativa tão grande.
Para esta fase é necessário um atestado médico dizendo que vc está apto para tal atividade. Meu médico (vulgo Dr. Tchananan) me deu tanto apoio e tanta ajuda!
O Stcw é um curso obrigatório, a nível internacional, para qualquer pessoa que vá trabalhar num navio. Aprendi a pular do navio, apagar incêndios, etc. Aliás, dizem que fogo é muito comum dentro da embarcação!
Você não embarca sem o certificado deste curso, que leva 30 dias pra chegar até sua casa. Quando fui avisada que recebi, quase tive um treco. Pulava feito um canguru... Hahahaha. Liguei pra todo mundo (até pra Dê, lá de Aracaju).
Então, até ser chamada, foi necessário (contando que estava indo pela MSC)
- Workshop (em abril R$ 750,00)
- Stcw (em maio R$ 750,00)
- atestado médico
- exames de sangue, urina, oftalmológico e pulmão (R$$$$$ incontáveis)
- ficha médica devidamente preenchida
- documentos em dia

Tudo enviado para o Ceceth, chegou o grande dia! Foi 21 de junho, às 22:15h, a Isabela me ligou avisando que ia embarcar no dia 05/07 em Veneza. Meu Deus... Fiquei branca, azul, amarela, roxa, verde... não tinha palavras na boca e nem nada na cabeça. Faltavam poucos dias pra eu ir embora...
Aí começaram as compras de tudo na lista (eles te encaminham um lista com tudo que tem que levar): despertador, cadeados, remédios, artigos de higiene, uniformes (a MSC não dá, vc tem que pagar por eles), sapatos mega confortáveis, malas. E tudo de uma vez, é caro pra caramba.

Recebi o contrato da companhia, as passagens... e agora é só embarcar. Faço o aéreo de Florianópolis, Rio de Janeiro, Paris e finalmente Veneza (onde espero pegar o navio).
De janeiro até junho, foi tudo muito rápido!Como tudo começou!!!!!!!
A minha história não é diferente das outras. Tudo começou com...
... Era uma vez... um pé na bunda! Puf! Pronto!
E aqui estou eu!!!!!! Aliás, foi isso que abriu minhas portas para o mundo! Isso que me fez ver que preciso ter histórias para contar; preciso viver aventuras; preciso viver uma vida!
A partir disso, um amigo (o Mauro, de CP) me incentivou a tentar trabalhar num navio. E várias pessoas foram colaborando com a idéia (até o Miojo), dizendo que eu precisava conquistar o que está lá fora...
Foi o que fiz. Mandei currículos para várias agências de recrutamento e seleção para navios. Mas muitas vezes esbarrava na dificuldade de preencher os formulários em inglês e também pelo fato que não tinha passaporte ainda... Corri atrás. Fiz tudo. Pedi ajuda. E mandei para o Ceceth em Curitiba! Foi então que recebi o email me chamando... ai ai ai... fiquei tão feliz!!!!
Fui fazer o workshop em abril (não estava ciente ainda que o Stcw era obrigatório). Lá foi possível ter uma noção beeeem grande de tudo que estava por vir. Das dificuldades, das dores, das alegrias e decepções (mais?). Conheci um montão de pessoas com a mesma ânsia que eu (nossa, não estava perdida sozinha...) e que marcariam a minha vida, com muita luz!
Em maio tive que voltar a Curitiba, agora pra fazer o Stcw. Mais um monte de gente igual a mim... Nossa! Todos querendo história! O curso de salvatagem foi muito legal, mas se o navio afundar, estou ferrada... não consegui entrar no bote! Hahahahahahaha

Com estes cursos prontos, era hora de fazer exames médicos e laboratoriais... Para ficar apta a embarcar.
O problema disso tudo foi o custo monetário que tive que gastar de uma vez só. Foi alto, hein? O gasto com viagens, exames, e tudo mais que está por vir... Meu santo. Se não fosse minha mãe, nada disso seria possível!
Cada passo dado era motivo de alegria. Toda vez que eu enviava algum documento para o Ceceth, o coração disparava. Porque estava ficando cada vez mais real essa decisão...
Nesse meio tempo eu estava trabalhando numa agência de viagens (o que me ajudou muito para poder comprar tudo o que faltava).
E o melhor dessa espera toda sempre foi os fóruns diários de discussão pelo msn com o povo que fez curso comigo! Era motivo de muita risada também. E todas as dificuldades e dúvidas não eram só minhas, eram deles também.
Maninhas Eliara, Karine e Eu!Portanto, depois de algumas semanas, eu estava apta a ser chamada... Agora era só esperar...
Mais tarde eu continuo..
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